segunda-feira, 19 de junho de 2023

RADIAÇÃO E CONTAMINAÇÃO CELULAR:

 Formas de tipos de irradiação:
- A correlação entre a exposição à radiação ionizante e os efeitos biológicos induzidos no homem foi estabelecida, inicialmente, pela observação de efeitos danosos em pessoas nas primeiras exposições com raios X, e em exposições com radionuclídeos sofridas pelos pioneiros das descobertas sobre radioatividade.

- Entretanto, para o seu detalhamento, foi necessária a adoção de modelos de exposição e hipóteses baseadas em extrapolações, uma vez que dependia claramente, da quantidade, forma e período de exposição, bem como de expectativas de concretização dos efeitos, em termos de sua observação, no tempo. Isto porque os dados experimentais disponíveis eram relacionados a exposições com doses elevadas, a acidentes radiológicos, às observações nas vítimas de Hiroshima e Nagasaki ou a experiências com cobaias.

1 -EXPOSIÇÃO ÚNICA, FRACIONÁRIA OU PERIÓDICA:

- Exposição do homem à radiação pode ter diferentes resultados

- Resultados podem variar dependendo da exposição única, fracionada ou periódica

- Exposição única ocorre em exames radiológicos como tomografia

- Exposição fracionada ocorre em tratamento radioterápico

- Exposição periódica ocorre em rotinas de trabalho com material radioativo em instalações nucleares

- Efeitos biológicos podem ser muito diferentes para mesma quantidade de radiação

- Dose aplicada em uma única vez pode ser letal

- Exposição contínua ou periódica produz efeitos difíceis de identificação

- Dose acumulada em 50 anos concentrada em uma única vez pode ter efeitos mais facilmente identificáveis.


          - Transformação de células expostas à radiação 
            do 60Co e nêutrons do espectro de fissão,
 com exposições únicas e fracionadas.



2. EXPOSIÇÃO DE CORPO INTEIRO, PARCIAL OU COLIMADA:
- Um trabalhador que opera com material ou gerador de radiação ionizante pode expor o corpo todo ou parte dele, durante sua rotina ou num acidente
- Um operador de gamagrafia sofre irradiação de corpo inteiro, na sua rotina de expor, irradiar a peça, recolher e transportar a fonte.
- Em alguns acidentes, como a perda e posterior resgate da fonte de irradiadores, pode expor mais as extremidades que outras partes do corpo. Uma pessoa que manipula radionuclídeos, expõe bastante suas mãos.
- No tratamento radioterápico, a exposição do tumor a feixes colimados de radiação é feita com muita precisão e exatidão.

3. EXPOSIÇÃO A FEIXES INTENSOS, MÉDIOS E FRACOS:

- Na esterilização e conservação de alimentos, radiação gama é utilizada
- As doses aplicadas podem chegar a 10 kilograys, sendo letais se aplicadas em todo o corpo de uma pessoa de uma única vez
- Em radioterapia, são aplicados 2 Gy por vez
- Feixes utilizados em radiologia são de intensidade média, atingindo alguns miligrays (mGy)
- Receber radiação com frequência pode causar danos biológicos
- Radioatividade natural induz doses de radiação de 1 mGy por ano no homem
- Poucos efeitos identificáveis são atribuídos exclusivamente a este tipo de radiação

4. . Exposição a fótons, partículas carregadas ou a nêutrons:
- Práticas com radiação ionizante envolvem fótons de fontes de radiação gama ou geradores de raios X
- Instalações nucleares e reatores também possuem fluxos de nêutrons gerados na fissão
- Alguns medidores de nível, densidade e instrumentos de prospecção de petróleo utilizam fontes e geradores de nêutrons
- Feixes de partículas carregadas estão presentes em aceleradores lineares de elétrons, cíclotrons com feixes de prótons e radionuclídeos emissores beta e alfa
- Fótons e nêutrons são as radiações mais penetrantes causando danos biológicos diferentes a depender da taxa de dose, energia e tipo de irradiação
- Feixes de elétrons possuem poder de penetração regulável
- Radiação beta proveniente de radionuclídeos em aplicadores oftalmológicos e dermatológicos tem alcance de fração de milímetro no tecido humano
- Radiações alfa são pouco penetrantes, mas doses absorvidas pelo sistema respiratório ou digestivo podem causar até 20x mais danos que outras formas de radiação.

5. DANOS CELULARES:

- O processo de ionização pode alterar as estruturas moleculares.
- A energia transferida pela radiação pode induzir excitações ou ionizações.


- A quebra de ligações químicas pode causar mudanças moleculares.
- As consequências da mudança molecular podem afetar células direta ou indiretamente.
- Os efeitos da radiação dependem de vários fatores, como a dose e o tipo de célula ou tecido.
- Alterações em substâncias críticas podem resultar na morte da célula.
- Alguns órgãos e tecidos possuem processo natural de reposição celular.
- Mudanças deletérias podem significar dano.


- A compreensão dos efeitos da radiação em células e tecidos é importante para entender os riscos da exposição à radiação e suas aplicações, como na área da medicina.
Quadro representativo dos diversos processos envolvidos
na interação da radiação ionizante
 com as células do tecido humano, e o tempo
 estimado para sua ocorrência.



Dos danos celulares, os mais importantes são os relacionados à molécula do DNA. As lesões podem ser quebras simples e duplas da molécula, ligações cruzadas (entre DNA-DNA, entre DNA-proteínas), alterações nos açúcares ou em bases (substituições ou deleções). 



Alguns tipos de alterações no cromossoma que podem ser induzidos por radiação ionizante.

6. MUTAÇÕES:
As mutações, nas células somáticas (do corpo) ou germinativas (das gônadas) podem ser classificadas em 3 grupos: a. Mutações pontuais (alterações na sequência de bases do DNA); b. Aberrações cromossomiais estruturais (quebra nos cromossomos); c. Aberrações cromossomiais numéricas (aumento ou diminuição no número de cromossomos).

7. MORTE CELULAR:

Quando a dose de radiação é elevada (vários Gy), muitas células de tecido atingidas podem não suportar as transformações e morrem, após tentativas de se dividir. O aumento da taxa de perda pode às vezes ser compensado com o aumento da taxa de reposição. Neste caso, haverá um período de transição, onde a função do tecido ou órgão foi parcialmente comprometida e posteriormente reposta. A perda de células em quantidade considerável, pode causar prejuízos detectáveis no funcionamento do tecido ou órgão. A severidade do dano caracteriza o denominado efeito determinístico, uma vez que o limiar de dose que as células do tecido suportam, foi ultrapassado. As células mais radiosensíveis são as integrantes do ovário, dos testículos, da medula óssea e do cristalino

ref: https://inis.iaea.org/collection/NCLCollectionStore/_Public/45/073/45073469.pdf

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